Quarta-feira, 21 de Maio de 2008

He is going to be the best!

Apesar da crítica cair matando em cima do filme "Speed Racer", que já chegou nas telonas do Brasil, a garota que aqui vos fala foi ao cinema conferir e se sentiu encantada com a qualidade de imagens, cores e músicas que fazem o "cinespectador" entrar dentro da adrenalina da corrida, como em um video game de alta técnologia.

Não entendi bem por que as salas de cinema estavam tão vazias. O filme não foi campeão de bilheteria nos Estados Unidos e parece que por aqui também não será. Uma pena, já que os efeitos especiais, como o jogo de luzes, as cenas que são interrompidas em um vai-e-vem de imagens que se encaixam, a velocidade dos carros, o barulho dos motores e da torcida, que ultrapassa os personagens do filme e invade o coração do pessoal que vibra, sentados em suas poltronas, em cada manobra do Match 5 valem a pena serem vistos na telona.

No meio do filme, ouvia-se as crianças vibrarem dentro do cinema e torcerem sem piscar pelo Speed como se ele fosse um ídolo. A mágia do filme prende quem vê, mas não quem o assiste esperando a adaptação de um super-herói. Speed não é o Super-Man, nem o Batman ou o Homem Aranha, ele é muito mais que um personagem que salva uma mocinha, Speed é um SUPER-PILOTO, apaixonado por corrida de carros.

A intenção do filme não é de se aproximar da realidade visual, apesar de retratar a máfia das corporações que manipulam os resultados das corridas numa disputa pelo poder do dinheiro. Quando se vai ao cinema se espera sair do real, esquecer tudo e viajar na história que é proposta. E o que há de errado em um filme de fantasia? A existência de um céu tão azul quanto o presente no filme? E cinema pode fazer critica sem deixar de ser mágico. Quem disse que fantasia não contém um toque de reflexão? Speed Racer é um filme inteligente, que mistura velocidade, mágia, reflexão e valores morais.

Acho que o pessoal precisa deixar de estranhar o novo. Percebo que há uma certa resistência quando se propõe maneiras diferentes de fazer arte.

Bom, mas pra quem gosta de ver super-herói agindo nas grandes cidades, assistam a "O Homem de Ferro", além de não conter nada lúdico é campeão de bilheteria.


Quinta-feira, 8 de Maio de 2008

E quanto às questões do mundo?

“Isso (o esforço que a Secretaria de Educação de São Paulo vem fazendo na melhoria da qualidade dos gestores e dos professores) precisa continuar, acrescentando-se novas medidas não só para chegar a melhores notas nos exames de avaliação mas, sobretudo, para ensinar os alunos a pensar – e pensar bem.”

(Antônio Ermírio de Moraes, F.S.P, 13.04.08)

As notas obtidas pelas escolas de São Paulo no Enem revelam a triste situação de uma parte da realidade educacional do estado. O exame é útil na avaliação de ensino-aprendizagem numa escala ampla, em que podemos perceber a “fixação” de conteúdos pelos estudantes. Porém, apesar de conter uma dissertação, o mesmo teste não cumpre a função de ser sensível à capacidade reflexiva e criativa do discente que engole técnicas, fórmulas e teorias, mas que não consegue pensar, transformar ou criar a partir de conhecimentos adquiridos.Temos, portanto, um teste que aponta problemas, mas que não deixa de ser um.

O que percebo na postura das instituições educacionais perante os resultados do exame é uma “correria” em busca da melhor colocação na lista de pontuação, o que não garante que a escola tenha realizado uma educação realmente libertadora. Educação é, antes de tudo, mudar o outro, transformá-lo. Trata-se de instigar a busca de conhecimento pelo próprio aluno, que passa a aprender a aprender num processo que ultrapassa as paredes da instituição.

As quatro ou cinco alternativas oferecidas no teste jamais avaliarão a capacidade cognitiva do estudante.


"Criar o que não existe ainda deve ser a pretenção de todo sujeito que está vivo."
(Paulo Freire)


O objetivo da escola ainda deve ser o de criar o novo e não de exibir técnicas de memorização, utilizada em demasia nos cursinhos pré-vestibulares, que, sem dúvidas, fará o aluno acertar grande número de questões do teste. Mas quanto às questões do mundo? Será que ele é capaz de pensar sobre elas?




"É que no meu mundo
Se canta o que ainda não se tem
Se tem um violão profundo
Se canta, porque cantar faz bem"
(Mallu Magalhães - Letrinhas dos Jornais)


Terça-feira, 22 de Abril de 2008

A menina e o portão


Às 6h da manhã ela estava pronta.
Mochila nas costas, cabelos presos de lado, sorriso e manchinha no rosto.
Ficava um longo tempo esperando "o moço da pirua" (mais conhecido como transporte escolar pelos adultos) chegar e levá-la à escola.
Terceira série. Um montão de colegas. Uma professora que adorava mexer no meu cabelo, com nome bíblico, que ela enfatizava toda aula: Éster.
Tudo isso faz parte desse tempo bom da vida.
Ênfase no que se passava antes de eu colocar o pé no primeiro quadradinho preto do chão da escola: A espera e o trajeto até lá.
Menina sonhadora, cheia da imaginação colorida, esta aqui!
Ela ficava um tempão brincando com o portão de "dedinho-sim-dedinho-não" entre cada longo ferro horizontal cinza (pra mim aquilo era ferro e pronto!haha) que compunha as grades do prédio.
Às vezes o "tio da pirua" demorava sabe...
Ele já me esqueceu um dia, eu lembro viu Tio Waldir?! E você falou pro meu pai que eu não estava lá...Mas eu sempre estive lá. Eu adorava aquele portão, poxa !!!
Era naqueles minutos, antes da pirua vim me buscar, que eu planejava todo meu dia: falar "bom dia" pro tio Waldir, mexer com o menino corinthiano que sentava na frente, o André, fingir que eu não gostava do Cláudio e bater nele na escola, brincar de desenhar na janela do ônibus (depois de preencher todo meu lado, mudar de lugar jogando um xaveco em alguém e partir para a próxima obra de arte na janela desse alguém), escutar música no walkman (sim! eu sou do tempo do walkman!), fazer de cada música uma trilha sonora de um momento que eu criava na minha cabeça cheia de imaginação (eu beijando o Cláudio, ele me vendo dançar, eu fazendo um golaaaço no futebol com os meninos...e assim por diante), voltar pra casa, esquentar minha comida, lavar louça até às 13h30, porque às 13h30 começava o Chaves, chamar a Gisele pra brincar de lego, chamar o Wagner pra ele trazer o lego (hehe), voltar pra casa, assistir à “A Lagoa Azul” na sessão da tarde, buscar meu irmão na escolinha, Malhação, ou melhor, assistir ao Dado da Malhação, fazer lição, ligar o som, imaginar outra vez um montão de outras coisas, jantar, brincar, mãe, pai, "oi", "boa noite", "como foi a escola? Fez a lição?", "Bem! Sim, já fiz", "Pai, me dá um cachorro?", "Não, você não vai cuidar", dormir, acordar, eu no portão de novo.

Como aquele portão foi importante na minha vida !

Aquela menina sonhava com todos os dias, todos os dias.

Ela sonhava com os dias.

Ela sonhava com ela.

Ela brincava com o dia, como se montasse a história dela enquanto o tio da pirua não vinha.

E era mágico...

...a menina e o portão.


...

p.s. : Hoje a terra tremeu aqui em Sampa. E eu senti.
Terremoto em pequena escala, me parece.
Eu estava conversando com amigos no msn, sentada na cadeira sem os pés no chão, quando achei que minha cadeira estava com os parafusos soltos.
Mas, um amigo no msn disse: "Fê o chão tremeu aqui!"
Eu, em seguida: "Menos mal! Pensei que eu tivesse que comprar outra cadeira!"

risos.

Hilariedades!

Quinta-feira, 17 de Abril de 2008

"O Teatro Mágico" e a poesia deles e nossa

Passeando pelo YouTube, digitei: "O Teatro Mágico".


Entre os inúmeros vídeos que encontrei, escolhi um para deixar meu blog mais encantado - uma poesia recitada, e não cantada (já que todas as músicas dos caras são divinamente poéticas), pelo Fernando Anitelli, que além de cantor, é o maior responsável pela idealização e direção artística do grupo.

De ontem em diante - O Teatro Mágico

Os opostos se distraem
E os dispostos se atraem

De ontem em diante
Serei o que sou no instante agora
Onde ontem, hoje, e amanhã
São a mesma coisa
Sem a idéia ilusória
De que o dia, a noite e a madrugada
São coisas distintas,
Separadas pelo canto de um galo velho
Eu aposto contigo
Que não sabes do Evangelho,
Do versículo e da professia,
Quem surgiu primeiro?
O antes, o outrora?
A noite, ou o dia?
A minha vida inteira
É meu dia inteiro
Meus dilúvios imaginários
Ainda faço no chuveiro
A minha mochila de lanches
É minha marmita requentada em banho maria
Minha mamadeira de leite em pó
É cerveja gelada na padaria
Meu banho no tanque
É lavar carro com mangueira
E se, antes, bem antes,
Um pedaço de maçã
Hoje eu quero a fruta inteira
E da fruta, eu tiro a polpa
Da puta, eu tiro a roupa
Da luta, não me retiro
Me atiro do alto
E que me atirem no peito
Da luta, não me retiro
Porque todo dia de manhã
É nostalgia das besteiras,
Das besteiras e das besteiras
Que fizemos no outro dia

...

O que mais me chama a atenção em tudo de bom que O Teatro Mágico produz é a idéia, passada por eles mesmo, "de que arte pode deixar de ser um mero objeto de consumo". Esta frase, que retirei do site oficial do grupo, só me deixa mais apaixonda pelo espetáculo que eles produzem e são.

O Brasil precisa disso.

Ah! Parece que eles estarão na Virada Cultural em São Paulo este ano hein!
E se "a caxumba" largar do meu pescoço lá também estarei.

Para quem curte ou quer curtir a mágica junção de música, teatro, circo e poesia de quem não canso de elogiar, está aqui o site oh: http://www.oteatromagico.mus.br/

Inté.

Quinta-feira, 10 de Abril de 2008

Deixa o menino aprender ô iaiá

Fico revoltada ao lembrar as minhas aulas de redação no colegial.
Lá ia a professora escrever na lousa:

Dissertação
Tema: "A importância da educação"

Fazíamos um texto "meia-boca", sem leitura prévia de nada, sem pesquisa, sem base alguma e pronto.

Aí, entendida como rebelde sem causa na faculdade por alguns professores e coleguinhas de classe, fui olhada de maneira estranha quando defendi o rap e o reggae na escola como incentivo à reflexão. Teve gente que pensou tanta coisa, que prefiro não pensar no pensamento deles.

Bom, lembrei disso tudo, do meu colegial desastroso, do preconceito na faculdade, e da minha IMENSA vontade de aproximar a escola do contexto real de vida do aluno, enquanto, durante o percurso até a escola, dentro do ônibus, eu escutava a música "Deixa o menino jogar" do Natiruts.

Tem gente que torce o nariz quando digo que colocaria a classe pra ouvir e cantar este reggae antes de propor a eles uma redação sobre Educação. Mas aí! Eu ainda coloco um colegial inteiro pra cantar essa música.

Será que a diretora me mata?
Aliás, será que alguma escola me contrata?
(risos)

A música é esta aqui. A letra é ótima e possui um refrão que manda um recado importante em forma de poesia.


Natiruts - deixa o menino jogar



Aí vai a letra:


O valor de um amor não se pode comprar
Onde estará a fonte que esconde a vida?
Raio de sol nascente brotando a semente

Os anos passam sem parar
E não vemos uma solução
Só vemos promessas de um futuro que não passa de ilusão
E a esperança do povo vem da humildade de seus corações,
Que jogam suas vidas seu destino nas garras de famintos leões

Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino jogar ô iaiá
Deixa o menino aprender ô iaiá
Que a saúde do povo daqui
É o medo dos homens de lá
A consciência do povo daqui
É o medo dos homens de lá
Sabedoria do povo daqui
É o medo dos homens de lá

O valor de um amor não se pode comprar
Onde estará a fonte que esconde a vida
Raio de sol nascente brotando a semente
Sinhá me diz porque é que o menino chorou
Quando chegou em casa e num canto escuro encontrou
A sua princesa e o moleque fruto desse amor
Chorando de fome sem saber quem o escravizou


...
* A versão "ao vivo" é mais bacana ainda!
** Acho que acabei de perder meu estágio!

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

Dicionário dos "sentidos"

Como prometido vou postar aqui o "sentido" que alguns blogueiros deram a vocábulos que fizeram parte da proposta do post passado.

A intenção era perceber de que maneira as pessoas vêem certas palavras. E procurar entender ainda, para minha análise pessoal, se esses significados sofrem alguma influência do meio externo, ou se são sentimentos íntimos das pessoas mesmo. Apesar de que um leva ao outro, já que os sentimentos surgem de alguma vivência com o social, seja através de pessoas, acontecimentos, experiências, observações etc.

Escolhi, para iniciar, a palavra piano, que tem para mim o "sentido" de flores sublimes. Depois explico o porquê.

Mas...

No dicionário da
Passageira do tempo, piano é: leveza e dor.

No dicionário da
Butterfly F.M, piano é: sensibilidade à flor da pele. Outro mundo. Outros tempos. Voltar atrás. Sentir nada e tudo ao mesmo tempo.

No dicionário de
Nane-Chan, piano é: Uma música não feliz, triste, muito triste, vindo de algum lugar representando a tristeza de alguém que tem medo de com palavras representar os sentimentos e utiliza a música para se satisfazer.

Observei que as três deram um "sentido" não positivo à palavra piano, que eu vejo como algo puramente sublime e que para mim tem cheiro de flores. Não, eu não estou ficando louca! Eu já sou louca. Mas minha loucura é totalmente explicável.

Acontece que já tive a experiência de tocar piano. E nesta experiência, a música que toquei era transcendental, não me trazia tristeza de maneira alguma. E o ambiente em que me encontrava era propicio a sentimentos belos, ao lado do piano havia vasos repletos de flores.

Provavelmente, todas elas tenham uma explicação coerente para os "sentidos" que deram ao vocábulo piano.

Talvez, a Passageira do Tempo já tenha ouvido uma música leve tocada no piano que a fez lembrar um fato não agradável. Daí então a junção da leveza a dor.

Talvez, a Butterfly esteja num momento confuso agora, em dúvida. Provavelmente ela tenha relacionado à música tocada no piano com o momento de vida dela agora.

Talvez, a Nane tenha se colocado inteiramente no lugar do pianista sem deixar de ser ela. A conclusão então definida por Nane seria a junção dela ao pianista, levando as tristezas dela ao ato de tocar piano.

Pode ser que não seja nada disso, e que elas tenham um outro "sentido" para o "sentido" que elas deram à palavra. Esse foi apenas o "sentido" que eu dei ao "sentido" delas. Confuso, mas interessante pra quem está do lado de cá. (risos)

Outras palavras e/ou outros significados de outros blogueiros:

No dicionário de
Nane-Chan:
Música
é: a música que ela estava ouvindo:

"Nesse conto de farsas
O final pode não ser
Tão feliz assim
Um caminho pra escolher
Ela sabe que pode se arrepender" (fake number)

OBS: veja que o meio externo influenciou diretamente a resposta dela.

No dicionário de
Henrique Monteiro:
Lágrima
é: perda, ou se for acompanhada de um sorriso pode ser uma extrema alegria. Quando penso em lágrimas, penso também em contos de fadas, daquelas histórias em que uma lágrima transforma tudo.

No dicionário de
Nana:
Pena
é: Tristeza.

No dicionário da
Senhorita Altendorf:
Livro
é: sensação de outros mundos, outras possibilidades, viagens, distração.

Quarta-feira, 2 de Abril de 2008

O significado da palavra

Neste mês de Abril, devido o meu envolvimento intenso com os estudos universitários, os posts estarão relacionados intrinsecamente com o que vou aprendendo. Claro que aqui será um espaço reservado às transformações ocasionadas em mim decorrentes de leituras e aulas. Já que a ainda sou defensora "roxa" da frase de Paulo Freire: "A educação que nada transforma está negando a si mesma".

Vou usar o espaço do blog, então, como interação entre "conteúdo + transformação" que resultará na prática do tema, o que, talvez, posteriormente, reafirme um ponto de vista ou mude todo ele. Ambos são válidos.

Bora lá então!

Estou lendo Lev Vygotsky, autor russo que enfatiza bem a importância da cultura e da linguagem na constituição do ser humano, relacionando aspectos biológicos e culturais do funcionamento psicológico.

Dentro dos seus inúmeros assuntos "super-mega-ultra-hiper" interessantes, eu selecionei este aqui:

O significado da palavra

Eu não resisto às palavras mesmo, não tem jeito. Mesmo estudando psicologia da educação, as letras pulsam mais forte aqui dentro.

Bem, o tema é abrangente, mas há um assunto que me chamou mais atenção.

Vigotsky distingue dois componentes do significado da palavra: o significado propriamente dito e o "sentido". A palavra carro, por exemplo, tem o significado objetivo de "veículo de quatro rodas, movido a combustível, utilizado para o transporte de pessoas". O sentido da palavra carro, entretanto, variará conforme a pessoa que a utiliza e o contexto em que é aplicada. Para o motorista de táxi significa um instrumento de trabalho; para o adolescente que gosta de dirigir pode significar forma de lazer; para um pedestre que já foi atropelado o carro tem um sentido ameaçador, que lembra uma situação desagradável, e assim por diante.

Deixemos o significado propriamente dito de lado, e nos voltemos para o "sentido".

Estou interessada em saber se posso perceber o "sentido" que as palavras tem para as pessoas de uma maneira louca, própria minha mesmo. (risos)

Vou citar uma palavra da qual gosto muito, mas não vou dizer o porque gosto dela, só adianto que o "sentido" é positivo.

Peço, então, para que, quem me lê, nos comentários, diga o sentido que essa palavra tem para você, e logo em seguida deixe uma palavra que lhe tenha um sentido positivo também, sem explicar o porquê, para que o próximo a comentar faça o mesmo. E assim sucessivamente.

A minha intenção é de pesquisa mesmo, curiosidade...


No próximo post colocarei as conclusões tiradas disso tudo.

A minha palavra é:

Piano


Observação: Não me interessa saber que o piano é um instrumento musical etc. Quero saber o "sentido" que essa palavra causa em você.

* A curiosidade matou o gato!