Domingo, 12 de Julho de 2009

Intenções

Eu já não sei mais quantas vezes li notícias sobre as reuniões dos Gs para discutir o aquecimento global. E já nem sei mais também quantos Gs temos (G8, G14, G...), quantos países fazem parte dos Gs, e onde se localiza mesmo o tão perdido ponto G de tudo isso. Entra país, saí país, G7 vira G8, países emergentes, países descontentes, países de dementes, países que enfiam na gente.

Pior é que eu insisto em querer ler a notícia até o final pra ver se algum número revoluciona os Gs, se coloca do lado do planeta e "Yeahh!", aceita reduzir as emissões de gases.

Acontece que cada país, inclusive o nosso Brasil-brasileiro-mulato-estrangeiro, por motivos vários, todos eles não justificáveis pra mim, se recusaram a redução de 50% das emissões na última sessão de pizza por aí.

O papinho do nosso Brasil-brasileiro-mulato-estrangeiro foi de que somos um país emergente e que, por conseguinte, produzimos mais e emitimos mais também pois estamos em processo de conquista do nosso espaço no globo.

Alguém avisa esses caras que não haverá império algum, soberania nenhuma se não existir planeta?

Emergiremos para além do nível do mar? Sobreviveremos ao calor? Aos fortes ventos? Seremos imortais?

Veja bem, vamos misturar pepinos com batatas agora. A bem da verdade mesmo é que a humanidade só se preocupa com o futuro do planeta quando se dá conta de que vivemos nele. E isso não é óbvio.

Se nós saíssemos vivinhos de tudo isso, quem é que ia se preocupar com a beleza das demais espécies? Quem está querendo salvar o planeta pelo cheiro das flores? Pelos cantos dos pássaros? Pelas cores do beija-flor?

Nem eu. Nem você. E nem seu pai.

Sabe, eu sempre gostei das pessoas pelas intenções, às vezes pelas segundas, admito. Mas intenções sempre foram importantes pra mim.

Qual é realmente a nossa intenção? Salvar o planeta ou a gente no planeta?
...

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Moléstia

Gente, eu sou uma lazarenta. Comecei a namorar e abandonei as crônicas, as poesias, as narrativas e todas as tipologias textuais que finjo escrever, mesmo eu sendo marromenos em everything.

Mas antes, voltemos ao termo lazarenta.

Quando me veio a ideia do post, eu pensava já na primeira frase de retorno ao blog começando por "Gente, eu sou uma laza...". Lazarenta? Mas o quié que significa lazarenta? Calma, Fernanda, não vai sair se xingando de qualquer coisa assim também.

Aí, com preguiça de levantar da cadeira, dar dois passos, esticar a mão e pegar o dicionário, optei por confiar na Wikipédia e joguei a palavra lá.

Lazarento
vem do personagem bíblico Lázaro, que por ter contraído lepra foi considerado um pária - pessoa excluída da sociedade, casta social mais baixa da Índia (é, tive que pegar o dicionário).

O que aconteceu com Lázaro foi que, por ter contraído a tal moléstia, perdeu seu prestígio na sociedade. E o termo, lazarento, passou então a ser considerado um insulto. Nos dias de hoje, quando alguém chama outro alguém de lazarento, a expressão facial do primeiro é algo como um "éca", sacam?

Pois bem, eu não tenho lepra, mas tenho um namorado. Logo, sou uma lazarenta.

E como ele lê isso aqui, eu suspeito que deixarei de ser uma lazarenta logo logo.

Sem rodeios, o fato é que começo de namoro é a joça mais gostosa do mundo. Eu só penso nele, eu só falo nele, eu escuto música e lembro dele, ele é isso, ele é aquilo. E quando penso em escrever algo, lembro que tenho lepra. Ops, um namorado.

Todas aquelas histórias engraçadinhas e verdadeiras agora possuem um espectador-personagem, pois o meu namorado (ou lepra) me acompanha em tudo e na maioria das vezes participa de tudo também.

É como num domingo desses, quando a gente foi no cinema só pra comer pipoca com (muita) manteiga, porque não tinha nenhum filme bom o suficiente para nos fazer não prestar atenção só na pipoca e...

Sentados nos banquinhos, em frente ao cinema, ficamos por lá declarando nosso amor com beijos salgados, amanteigados e patrocinados pela Coca-Cola, que ele segurava pra mim. Opa, pra gente, enquanto eu, espertinha, dominava a pipoca.

Eu contava pra ele a respeito da minha mente insana que sempre fica tentando criar diálogos para as pessoas desconhecidas que habitam os lugares, quando eu vejo, ao lado direito, num outro banquinho de madeira como o nosso, um casal perfeito para eu colocar as minhas ideias em prática.

Fiquei observando um tempo os dois, procurando sinais de possíveis discursos para o diálogo, quando o rapaz abre um jornalzinho de bairro e coloca bem na frente de sua perna. A moça encosta seu rosto no ombro do moço, e a mão da rapariga some atrás do jornalzinho de bairro.

"Acabo de desistir de criar diálogos, amor. Tem uma cena ali pronta". Sussurro pro gato, que sem disfarçar nem o mínimo do que eu considero pouco, vira o rosto pra ver do quié que eu estava falando.

A gente se olha e ri. E continuamos observando o casal. Somos dois insanos agora.
Com nenhuma dúvida do que estava acontecendo, finjo achar o que já tinha certeza.

"Amor, acho que aquele moço está fingindo ler o jornal enquanto a moça fingi estar com a mão na perna dele".

Silêncio. Meu gato parece não ter ouvido o que eu tinha acabado de dizer. Ao perguntar se ele tinha me escutado, ele olha em volta e com o pensamento longe diz:

"Ouvi sim, linda, estou só aqui pensando onde é que foi que ele conseguiu esse jornal..."


p.s.:
Preciso ainda dizer que sou apaixonada pela minha moléstia?

Segunda-feira, 22 de Junho de 2009

FANATISMO

Minh'alma de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te ver.
Não és sequer razão do meu viver
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No mist'rioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!...

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah, podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."

(Fanatismo, Florbela Espanca)

Gostou? Agora escuta:

Me leve (Cantiga para não morrer)

"Quando você for embora, moça branca como a neve, me leve. Me leve. Se acaso você não possa me carregar pela mão, menina branca de neve, me leve no coração. Se no coração não possa por acaso me levar, moça de sonho e de neve, me leve no seu lembrar. E se aí também não possa, por tanta coisa que leve já viva em seu pensamento, moça branca como a neve, me leve no esquecimento..."

(Fagner e Ferreira Gullar)

Do meu manual de "Coisas para se ler e ouvir".

Fagner - Me Leve

Sexta-feira, 12 de Junho de 2009

O FRIO

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Chega o frio e com ele, as músicas que tocam lá no fundo da nossa alma. As gotas na janela do quarto. O cinza dos dias vistos pela janela. Os passos apressados de quem segue rumo a um abrigo bem quente. Luvas segurando uma caneca de café nas padarias da cidade que não para. Casais de namorados agasalhando-se mutuamente nos portões das casas. Dias e noites de frio.

Chega o frio e com ele, o meu presente. Alguém que todo tempo estava do meu lado. Um conselho, um abraço e um olhar para enxugar minhas lágrimas. Uma canção vestida de homem; um homem feito de canções.

Em meio a todas aquelas pessoas, havia o meu agasalho mais quente. Lá estava, em todas as noites na roda de amigos, alguém que jamais me abandonaria. O final feliz dos contos de fadas que eu nunca acreditei.

Em meio àquelas noites amigáveis...ele, eu e o frio. Um abraço em frente ao portão. Um beijo para desconcertar todas as certezas que eu tinha em relação ao amor. Um abraço para me certificar de que eu não conhecia verdades até ali. Frases ditas com um olhar. Palavras que eu jamais esqueceria...

Em meio ao cinza do frio, ele me ajudaria a enxergar. Refletir. Sorrir. E encontrar saídas. Saio da faculdade, do emprego e do caminho que já não quereria mais seguir. Mudo a direção. Conheço lugares novos. Redescubro-me outra.

Percebo, então, que assim como todas as coisas da vida, o frio tem sua função.

O frio vem, fechando o tempo, tirando a quentura do Sol, para que nós possamos exergar outras formas de nos aquecer. Para que possamos sentir o gosto verdadeiro do café pela manhã. Para que possamos entender as várias funções do abraço. Para que possamos agradecer com mais fé em Deus pela cama quente que temos.

E o frio vem, PRINCIPALMENTE, para que a gente se lembre de aquecer nossos corações.

Feliz dia dos namorados!

p.s.: Isso é mais que um post. É uma declaração de amor ao frio que decidiu olhar pra mim.
E, sim, eu estou namorando. Meus posts, crônicas, filmes e livros serão bobinhos agora.

Domingo, 31 de Maio de 2009

Escuta lá


"Quando essa boca disser o seu nome, venha voando
Mesmo que a boca só diga seu nome de vez em quando..."

(Seu nome, Luiza Possi)

Sábado, 16 de Maio de 2009

Renoir

Li esses dias que o mestre de Renoir na Escola de Belas-Artes de Paris chegou a recriminá-lo por ele "pintar como se fosse apenas para se divertir". Renoir, apesar de nem precisar abrir a boca para dar mais dor de cotovelo a seu mestre, disse: “Você pode estar seguro de que eu não pintaria se não me divertisse”.

Agora, dá uma olhadinha na diversão do cara: